segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Miserabilidade Filosófica - Política e política

As instituições políticas brasileiras são frágeis e inconsolidadas, formas negativas das instituições ocidentais, que já declinam antes mesmo da realização plena das nossas. Vivemos em uma sociedade em que as normas fracassadamente tentam criar costumes. Mas essas deficiências estruturais da representatividade política e do sistema legislativo podem encontrar um paralelo na falta de espírito crítico forçada a existir pela institucionalização da política como profissão. A Política hoje é política, antifilosófica e particular. Essa política é imediatista e responde a uma objetividade. Não passa, portanto, de politicismo.

Claro que é necessário partir da divisão social do trabalho, que impõe uma cisão entre o fazer e o pensar. Quando essa divisão se acirra no sentido de acompanhar as especializações profissionais, posta também no plano da política, eis o quadro que nos resta: votar para reafirmar a divisão entre o fazer e o pensar. Pois o político profissional pensa por todos nós.

O politicismo é a ultra-representatividade. Os políticos como categoria profissional inibem qualquer um de pensar a sociedade, uma vez que essa é a sua função. Nestas condições existe pouquíssimo debate público sobre a sociedade e seus conflitos inerentes e são eleitos os políticos que melhor representariam os interesses da sociedade (caso não fosse o largo parêntese do sistema eleitoral brasileiro que elege as melhores campanhas, através do monopólio da informação [1]). Esses políticos passam a representar interesses objetivos para que possam garantir a sua eleição futura, e assim colocam em movimento a máquina tautológica, na qual o Estado encontra seus limites de Autonomia.

Esse politicismo é a política particular e individualista. Seu discurso se apresenta com um caráter antifilosófico, para que possa validar a profissão de político como a daquele que pensa a sociedade ao invés de todos pensarem. Representar pessoas é propndo "soluções", uma visão de mundo racionalista-socrática, formalista. Idéias fechadas, produzidas a partir de uma reflexão particular, no sentido de expurgar os problemas ao invés de entendê-los como elementos integrantes da realidade que os imprimiu como externalidades.

A política perde a inerência e a potência da práxis, passa a ser uma atividade realizada em função de uma remuneração, e seus limites são postos na reprodução dos problemas que se pôs a expurgar. Como os problemas não são expurgados, garante-se a reprodução da política como profissão. O Bureau era a proteção que usavam os Bureaucrates, no antebraço encarregado de empunhar a caneta, sua ferramenta de trabalho por excelência.

O político profissional é o indivíduo que "se preparou" para pensar a vida política de todos e por todos, e resolvê-la. Abre-se espaço também para os populismos, mitos de representantes do povo. Ou ainda, persuadidos pela tecnocracia aprendemos que os representantes são os "mais capazes" de escolher como transformar a vida política da sociedade. E os representados só precisam se conscientizar sobre as escolhas prontas provenientes do pensar capacitado do político profissional. E claro votar nele. Ingênuas "máscaras de caráter" para personas deveras impotentes.

O Movimento Estudantil adquiriu a admirável capacidade de se realizar enquanto espelho torto da protopolítica brasileira. Jovens aprendizes de práticas inócuas. Escola Geral de Mesquinharias e Hierarquias. Futuros politicistas profissionais, Ministros da Fé Nacional.

[1] O politicismo profissional trasmite suas idéias através de um discurso hegemônico e por meio das mídias hegemônicas. Ao mesmo tempo alguns discursos anti-hegemônicos surgem incitando a reflexão pública sobre os conflitos sociais. Só para ilustrá-los, o FSM reserva um espaço específico com o eixo temático Discursos Anti-Hegemônicos.

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